O populista

Ele é carismático, mas narcisista e um tanto autoritário. Se apresenta como o defensor de uma classe esquecida e oprimida, se propondo como o outsider que pode trazer ética e eficiência para a política.

A mensagem que vende é de que o país está em ruínas, com banqueiros e empresários conspirando com políticos corruptos e países estrangeiros para roubar os empregos da população e explorar os recursos locais. Ele é o único que pode salvar a nação, a conduzindo a um futuro utópico e glorioso de prosperidade.

Se isso parece falso ou exagerado tanto em diagnóstico quanto em tratamento, é porque é.

Mas, para nosso líder, que a mensagem não corresponde à realidade não é nenhum problema. Na verdade, ele sabe exatamente o que fazer: deslegitimar a imprensa independente cujo trabalho é vigiá-lo ao mesmo tempo que faz com que sua própria imprensa paralela vomite todos os “fatos alternativos” que ele quer que o povo acredite. Essa mídia chapa-branca vem até com o apoio de um exército de trolls que ferozmente ataca adversários políticos, a imprensa tradicional e qualquer um que ouse ter opiniões divergentes.

O líder acredita que sua vitória eleitoral lhe dá direito e legitimidade para fazer tudo o que quiser. Assim, age com uma flagrante indiferença aos devidos processos e até mesmo à lei, usando seu prometido futuro glorioso como desculpa para agir de forma suspeita—fazendo exatamente o que costumava criticar nos políticos tradicionais. Na verdade, após duramente atacar banqueiros, grandes empresários e políticos corruptos e sedentos de poder, ele rapidamente aprende a deleitar-se no pântano que prometera drenar, criando uma relação próxima e interdependente com aqueles que costumava censurar.

A política econômica do líder é protecionista e míope, focada na criação instantânea de empregos e no crescimento mágico. É baseada em eliminar influência estrangeira, jorrando dinheiro no mercado e controlando excessivamente setores e negócios específicos através de pacotes de estímulo, subsídios e até coação. Sua política externa, por sua vez, é caracterizada pela afinidade pessoal que tem com outros líderes de pensamento similar—o fato desses líderes praticarem atos moralmente questionáveis é tratado como irrelevante.

O leitor sabe de quem estou falando?

Dica: não é Donald Trump.

Falo do ex-presidente Lula, populista de primeira grandeza.

De esquerda ou direita, um populista é um populista. E não, nunca são bons.

Lula e o PT governaram o Brasil por cerca de 13 anos. As consequências foram as crises política e econômica mais profundas da história do país e um dos maiores escândalos de corrupção que o mundo já viu.

É verdade que a democracia americana é mais madura e suas instituições são mais sólidas. Entretanto, dada a posição dos Estados Unidos como o grande baluarte da democracia liberal e como o principal fiador da segurança e estabilidade globais, os riscos de uma presidência Trump de ideologia “America first” são muito maiores. Com sorte, os pesos e contrapesos do sistema americano podem conter a ameaça. No final, porém, cabe ao povo assegurar que seu país não irá embarcar em uma perigosa aventura populista.

2 anos ago

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